sábado, 3 de outubro de 2009

Necessidade da Reencarnação

Para dar início ao blog da turma D de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita do primeiro semestre de 2009, vou colocar uma pesquisa que nosso amigo Rodrigo fez para achar uma pergunta muito frequente nos estudos sobre a necessidade da reencarnação: "Não seria possível que trilhássemos o caminho da evolução apenas no plano espiritual?".


Prezados amigos(as),

no final da nossa última aula, foi levantado um questionamento a respeito da necessidade da encarnação, considerando-se a precedência do mundo espírita, em relação ao mundo corporal. Em outros termos, a questão foi a seguinte: não seria possível que trilhássemos o caminho da evolução apenas no plano espiritual?
Fiquei bastante curioso a respeito da questão, então fiz algumas consultas e pesquisas, que repasso a todos, visando, tão-somente, contribuir para nosso estudo da Doutrina Espírita.
Na breve pesquisa, recordei-me da necessidade de relembrar alguns pontos destacados pela Doutrina Espírita, antes de procurar, diretamente, a resposta para a pergunta feita:
1º. Há dois elementos gerais do Universo: matéria e espírito, conforme nos ensina o Livro dos Espíritos (pergunta 27):
27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?
Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela.

O primeiro ponto que me chama a atenção, ao lembrar da existência dos dois elementos gerais do Universo, é que Deus, em sua infinita sabedoria, não teria criado nada sem um objetivo ou que fosse desprovido de utilidade. Sendo assim, a matéria, além de ser um elemento geral do Universo, faria parte da grande obra divina e, nesse sentido, seria necessária ao funcionamento do Cosmos.
Além disso, a matéria é, justamente, o elemento utilizado para formação dos diversos planetas e sistemas existentes no Universo, que, posteriormente à sua constituição, servem de moradia para o princípio espiritual, em sua jornada ascensional. Novamente, destaco algumas questões do Livro dos Espíritos:
39. Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos?
Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço.
43. Quando começou a Terra a ser povoada?
No começo tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo.

Contudo, a complexidade e beleza da criação divina não pára aí. Sabemos que o princípio espiritual, em atendimento à lei do progresso, perpassa pelos reinos mineral, vegetal e animal, antes de encontrar-se habilitado a estagiar no reino hominal. Quanto a tal questão, cito alguns trechos do livro Evolução em Dois Mundos, de André Luiz:


“A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva.
Dessa geléia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações... Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído”. Evolução em Dois Mundos, p.38.

“a mônada vertida do Plano Espiritual sobre o Plano Físico atravessou os mais rudes crivos de adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão”. Evolução em Dois Mundos, p. 41.

“há também uma genealogia do Espírito. Com a Supervisão Celeste, o princípio inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos”.Evolução em Dois Mundos, p. 65.

André Luiz ainda destaca que os mundos criados servem à evolução do princípio espiritual:

“É aí, no seio dessas formações assombrosas, que se estruturam, inter-relacionados, a matéria, o espaço e o tempo, a se renovarem constantes, oferecendo campos gigantescos ao progresso do Espírito”. Evolução em Dois Mundos, p. 22.

“Semelhantes mundos servem à finalidade a que se destinam, por longas eras consagradas à evolução do Espírito”. Evolução em Dois Mundos, p. 24.

“O plano físico é o berço da evolução que o plano extrafísico aprimora. O primeiro insufla o sopro da vida, cujas edificações o segundo aperfeiçoa. A reencarnação multiplica as experiências, somando-as, pouco a pouco”. Evolução em Dois Mundos – André Luiz, p. 126.

Dessa forma, o que me parece, à primeira vista, é a necessidade da matéria, e, por conseqüência, dos mundos e planetas para que se torne possível o gradativo desenvolvimento e acrisolamento do princípio espiritual. Pelo que se vê, os mundos e planetas formados, com a contribuição de Celestes Trabalhadores, facultam a recepção do princípio espiritual e o seu burilamento, desde o início, no mundo físico.
O Livro dos Espíritos também oferece, indiretamente, pistas para a resposta de tal questão em algumas das perguntas feitas por Kardec:
166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
Sofrendo a prova de uma nova existência.

a) Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?
Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.

175. Haverá alguma vantagem em voltar-se a habitar a Terra?
Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão, caso em que se progride aí como em qualquer outro planeta.

a) Não seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito?
Não, não; estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.

A resposta dos Espíritos à pergunta 175, vai ao encontro do entendimento de Léon Denis, que, a meu ver, apresentou a resposta mais explícita quanto à necessidade da encarnação, em contraposição à possibilidade de a evolução se dar apenas na esfera extra-física:

“A matéria é o obstáculo útil; provoca o esforço e desenvolve a vontade; contribui para a ascensão dos seres, impondo-lhes necessidades que os obrigam a trabalhar”. Léon Denis. O problema do ser, do destino e da dor. p. 163.

“Renascer não é mais extraordinário do que nascer; a alma volta à carne para nela submeter-se às leis da necessidade; as precisões e as lutas da vida material são outros tantos incentivos que a obrigam a trabalhar, aumentam a sua energia, avigoram-lhe o caráter. Tais resultados não poderiam ser obtidos na vida livre do Espaço por Espíritos juvenis, cuja vontade é vacilante. Para avançarem tornam-se precisos o látego da necessidade e as numerosas encarnações, durante as quais a alma vai concentrar-se, recolher-se em si mesma, adquirir a elasticidade, a impulsão indispensável para descrever mais tarde a sua imensa trajetória no Céu.
O fim dessas encarnações é, pois, de alguma sorte, a revelação da alma a si mesma ou, antes, a sua própria valorização pelo desenvolvimento constante das suas forças, dos seus conhecimentos, da sua consciência, da sua vontade. A alma inferior e nova não pode adquirir a consciência de si mesma senão com a condição de estar separada das outras almas, encerrada num corpo material. Ela constituirá, assim, um ser distinto, que vai afirmar a sua personalidade, aumentar a sua experiência, acentuar a sua marcha progressiva na razão direta dos esforços que fizer para triunfar das dificuldades e dos obstáculos que a vida terrestre lhe semeia debaixo dos pés”. Léon Denis. O problema do ser, do destino e da dor. p. 235.

Boa semana a todos,

Rodrigo.

2 comentários:

  1. Excelente trabalho, Rodrigo.

    Gabril, parabéns por ter colocado o blog no ar.

    Vamos contribuir, turma.

    Carlos

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  2. Sobre a Necessidade da Encarnação, recomendamos também a leitura de O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 25.

    Carlos

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