domingo, 25 de outubro de 2009

Espírito & Alma (Vocábulos Sinônimos)

Espírito & Alma (Vocábulos Sinônimos)


Prezados Irmãos e Irmãs:


Resolvi pesquisar no próprio “O Livro dos Espíritos” indicações que confirmam os vocábulos “ALMA” e “ESPÍRITO” como sinônimos. Adicionalmente, que a definição “Alma = Espírito encarnado” ocorreu devido a nossa “linguagem impotente”. Vejam o arquivo anexado (os sublinhados são meus).


Um abraço,
Marcello de Abreu Faria

* * *


“Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção vulgar e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo” (Introdução, II).

“Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante” (Introdução, VI).

“A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo” (Introdução, VI).

“A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal” (Introdução, VI).

139. Alguns Espíritos e, antes deles, alguns filósofos definiram a alma como sendo: “uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Por que essa contradição?
Não há contradição. Tudo depende das acepções das palavras. Por que não tendes uma palavra para cada coisa?” O vocábulo alma se emprega para exprimir coisas muito diferentes. Uns chamam alma ao princípio da vida e, nesta acepção, se pode com acerto dizer, figuradamente, que a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo. Estas últimas palavras indicam a fonte universal do princípio vital de que cada ser absorve uma porção e que, após a morte, volta à massa donde saiu. Essa idéia de nenhum modo exclui a de um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. A esse ser, igualmente, se dá o nome de alma e nesta acepção é que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado. Dando da alma definições diversas, os Espíritos falaram de acordo com o modo por que aplicavam a palavra e com as idéias terrenas de que ainda estavam mais ou menos imbuídos. Isto resulta da deficiência da linguagem humana, que não dispõe de uma palavra para cada idéia, donde uma imensidade de equívocos e discussões. Eis por que os Espíritos superiores nos dizem que primeiro nos entendamos acerca das palavras.

140. Que se deve pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos e presidindo assim a cada uma das funções do corpo?
“Ainda isto depende do sentido que se empreste à palavra alma. Se se entende por alma o fluido vital, essa teoria tem razão de ser; se se entende por alma o Espírito encarnado, é errônea. Já dissemos que o Espírito é indivisível. Ele imprime movimento aos órgãos, servindo-se do fluido intermediário, sem que para isso se divida.”

143. Por que todos os Espíritos não definem do mesmo modo a alma?
“...os próprios Espíritos esclarecidos podem exprimir-se em termos diferentes, cujo valor, entretanto, é substancialmente, o mesmo, sobretudo quando se trata de coisas que a vossa linguagem se mostra impotente para traduzir com clareza. Recorrem então a figuras, a comparações, que tomais como realidade.”

207. Freqüentemente, os pais transmitem aos filhos a parecença física. Transmitirão também alguma parecença moral?
“Não, que diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros. O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças apenas há consangüinidade.”

Pois que João Batista fora Elias, houve reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista (Capítulo V, 5ª pergunta).

224. Que é a alma no intervalo das encarnações?
Espírito errante, que aspira a novo destino, que espera.”

257. ...A alma, ou o Espírito, tem, pois, em si mesma, a faculdade de todas as percepções.

404. ...Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros?

430. Pois que a sua clarividência é a de sua alma ou de seu Espírito, por que é que o sonâmbulo não vê tudo e tantas vezes se engana?

455. A vista da alma ou do Espírito não é circunscrita e não tem sede determinada. Pelos fenômenos do sonambulismo, quer natural, quer magnético, a Providência nos dá a prova irrecusável da existência e da independência da alma e nos faz assistir ao sublime espetáculo da sua emancipação. Abre-nos, dessa maneira, o livro do nosso destino. Quando o sonâmbulo descreve o que se passa a distância, é evidente que vê, mas não com os olhos do corpo. Vê-se a si mesmo e se sente transportado ao lugar onde vê o que descreve. Lá se acha, pois, alguma coisa dele e, não podendo essa alguma coisa
ser o seu corpo, necessariamente é sua alma, ou Espírito...

460. De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos? Vossa alma é um Espírito que pensa...

613. Embora de todo errônea, a idéia ligada à metempsicose não terá resultado do sentimento intuitivo que o homem possui de suas diferentes existências?
“...O homem possui, como propriedade sua, a alma ou Espírito, centelha divina que lhe confere o senso moral e um alcance intelectual de que carecem os animais e que é nele o ser principal, que preexiste e sobrevive ao corpo, conservando sua individualidade...

973. Quais os sofrimentos maiores a que os Espíritos maus se vêem sujeitos?
“...Quanto mais ele se desenvolve, tanto mais essa idéia se apura e se escoima da matéria; compreende as coisas de um ponto de vista mais racional, deixando de tomar ao pé da letra as imagens de uma linguagem figurada. Ensinando-nos que a alma é um ser todo espiritual, a razão, mais esclarecida, nos diz, por isso mesmo, que ela não pode ser atingida pelas impressões que apenas sobre a matéria atuam... 

Pensamento e Neurotransmissores

Prezados Irmãos e Irmãs,

tudo bem? Fiz uma breve síntese (também) relacionada com a aula de 23/09/2009. As informações seguintes foram retiradas do livro “Autodescobrimento – uma busca interior”, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

Um abraço,
Marcello
* * *

"O pensamento é exteriorização da mente, que independe da matéria e por sua vez é originada no Espírito. O Espírito possui a faculdade mental que expressa o pensamento em todas as direções, utilizando-se do cérebro humano para comunicar suas idéias com as demais pessoas. Disciplinar e edificar o pensamento através da fixação da mente em idéias superiores da vida, do amor, da arte elevada, do bem, da imortalidade, constitui o objetivo moral da reencarnação, de modo que a plenitude, a felicidade seja a conquista a ser lograda. Pensar bem é fator de vida que propicia o desenvolvimento, a conquista da Vida. O cérebro, na sua função de instrumento, reage conforme os imperativos da mente que por ele se exterioriza.
O perispírito modela o organismo de que o Espírito tem necessidade, equipando-o com os neurotransmissores cerebrais capazes de refletir os fenômenos-resgate indispensáveis para o equilíbrio. Dessa forma, cada ser em desenvolvimento na Terra possui o corpo que lhe é necessário para a evolução. A maneira como se conduza – exceção feita nos processos psiconeuróticos graves, quais o autismo, a esquizofrenia e outros equivalentes – responderá pela recuperação da saúde mental, ou permanência na alienação, ou agravamento da mazela. Nunca se deve esquecer que, qualquer indivíduo incurso em transtornos psíquicos de comportamento, como ocorre em outras problemáticas geradoras de sofrimentos, é o devedor em processo de resgate, é consciência culpada que busca tranqüilidade. Para serem bem sucedidos, os mecanismos terapêuticos deverão alcançar o ser real, espiritual, propondo-lhe mudança de atitude interior e conduta mental, desse modo renovando-se, dispondo-se ao prosseguimento de uma existência útil. Caso contrário, as recidivas contínuas levarão o paciente à deterioração psicológica com a irreversibilidade patológica. As descargas mentais odientas penetram nas correntes nervosas dos neurotransmissores e estimulam a eliminação de substâncias excessivas ou provocam alterações escassas, significativas nos processos psicopatológicos."

sábado, 3 de outubro de 2009

Necessidade da Reencarnação

Para dar início ao blog da turma D de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita do primeiro semestre de 2009, vou colocar uma pesquisa que nosso amigo Rodrigo fez para achar uma pergunta muito frequente nos estudos sobre a necessidade da reencarnação: "Não seria possível que trilhássemos o caminho da evolução apenas no plano espiritual?".


Prezados amigos(as),

no final da nossa última aula, foi levantado um questionamento a respeito da necessidade da encarnação, considerando-se a precedência do mundo espírita, em relação ao mundo corporal. Em outros termos, a questão foi a seguinte: não seria possível que trilhássemos o caminho da evolução apenas no plano espiritual?
Fiquei bastante curioso a respeito da questão, então fiz algumas consultas e pesquisas, que repasso a todos, visando, tão-somente, contribuir para nosso estudo da Doutrina Espírita.
Na breve pesquisa, recordei-me da necessidade de relembrar alguns pontos destacados pela Doutrina Espírita, antes de procurar, diretamente, a resposta para a pergunta feita:
1º. Há dois elementos gerais do Universo: matéria e espírito, conforme nos ensina o Livro dos Espíritos (pergunta 27):
27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?
Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela.

O primeiro ponto que me chama a atenção, ao lembrar da existência dos dois elementos gerais do Universo, é que Deus, em sua infinita sabedoria, não teria criado nada sem um objetivo ou que fosse desprovido de utilidade. Sendo assim, a matéria, além de ser um elemento geral do Universo, faria parte da grande obra divina e, nesse sentido, seria necessária ao funcionamento do Cosmos.
Além disso, a matéria é, justamente, o elemento utilizado para formação dos diversos planetas e sistemas existentes no Universo, que, posteriormente à sua constituição, servem de moradia para o princípio espiritual, em sua jornada ascensional. Novamente, destaco algumas questões do Livro dos Espíritos:
39. Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos?
Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço.
43. Quando começou a Terra a ser povoada?
No começo tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo.

Contudo, a complexidade e beleza da criação divina não pára aí. Sabemos que o princípio espiritual, em atendimento à lei do progresso, perpassa pelos reinos mineral, vegetal e animal, antes de encontrar-se habilitado a estagiar no reino hominal. Quanto a tal questão, cito alguns trechos do livro Evolução em Dois Mundos, de André Luiz:


“A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva.
Dessa geléia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações... Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído”. Evolução em Dois Mundos, p.38.

“a mônada vertida do Plano Espiritual sobre o Plano Físico atravessou os mais rudes crivos de adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão”. Evolução em Dois Mundos, p. 41.

“há também uma genealogia do Espírito. Com a Supervisão Celeste, o princípio inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos”.Evolução em Dois Mundos, p. 65.

André Luiz ainda destaca que os mundos criados servem à evolução do princípio espiritual:

“É aí, no seio dessas formações assombrosas, que se estruturam, inter-relacionados, a matéria, o espaço e o tempo, a se renovarem constantes, oferecendo campos gigantescos ao progresso do Espírito”. Evolução em Dois Mundos, p. 22.

“Semelhantes mundos servem à finalidade a que se destinam, por longas eras consagradas à evolução do Espírito”. Evolução em Dois Mundos, p. 24.

“O plano físico é o berço da evolução que o plano extrafísico aprimora. O primeiro insufla o sopro da vida, cujas edificações o segundo aperfeiçoa. A reencarnação multiplica as experiências, somando-as, pouco a pouco”. Evolução em Dois Mundos – André Luiz, p. 126.

Dessa forma, o que me parece, à primeira vista, é a necessidade da matéria, e, por conseqüência, dos mundos e planetas para que se torne possível o gradativo desenvolvimento e acrisolamento do princípio espiritual. Pelo que se vê, os mundos e planetas formados, com a contribuição de Celestes Trabalhadores, facultam a recepção do princípio espiritual e o seu burilamento, desde o início, no mundo físico.
O Livro dos Espíritos também oferece, indiretamente, pistas para a resposta de tal questão em algumas das perguntas feitas por Kardec:
166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
Sofrendo a prova de uma nova existência.

a) Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?
Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.

175. Haverá alguma vantagem em voltar-se a habitar a Terra?
Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão, caso em que se progride aí como em qualquer outro planeta.

a) Não seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito?
Não, não; estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.

A resposta dos Espíritos à pergunta 175, vai ao encontro do entendimento de Léon Denis, que, a meu ver, apresentou a resposta mais explícita quanto à necessidade da encarnação, em contraposição à possibilidade de a evolução se dar apenas na esfera extra-física:

“A matéria é o obstáculo útil; provoca o esforço e desenvolve a vontade; contribui para a ascensão dos seres, impondo-lhes necessidades que os obrigam a trabalhar”. Léon Denis. O problema do ser, do destino e da dor. p. 163.

“Renascer não é mais extraordinário do que nascer; a alma volta à carne para nela submeter-se às leis da necessidade; as precisões e as lutas da vida material são outros tantos incentivos que a obrigam a trabalhar, aumentam a sua energia, avigoram-lhe o caráter. Tais resultados não poderiam ser obtidos na vida livre do Espaço por Espíritos juvenis, cuja vontade é vacilante. Para avançarem tornam-se precisos o látego da necessidade e as numerosas encarnações, durante as quais a alma vai concentrar-se, recolher-se em si mesma, adquirir a elasticidade, a impulsão indispensável para descrever mais tarde a sua imensa trajetória no Céu.
O fim dessas encarnações é, pois, de alguma sorte, a revelação da alma a si mesma ou, antes, a sua própria valorização pelo desenvolvimento constante das suas forças, dos seus conhecimentos, da sua consciência, da sua vontade. A alma inferior e nova não pode adquirir a consciência de si mesma senão com a condição de estar separada das outras almas, encerrada num corpo material. Ela constituirá, assim, um ser distinto, que vai afirmar a sua personalidade, aumentar a sua experiência, acentuar a sua marcha progressiva na razão direta dos esforços que fizer para triunfar das dificuldades e dos obstáculos que a vida terrestre lhe semeia debaixo dos pés”. Léon Denis. O problema do ser, do destino e da dor. p. 235.

Boa semana a todos,

Rodrigo.